Um impulso, uma pescaria e uma vida nova

Beto apontando para um arco-íris sobre o jardim da pousada

A história da nova fase da Cavalo de Pedra começou de um jeito que ninguém planejou.

Até então, Beto trabalhava ao lado da esposa, Cyntia, ajudando a tocar um escritório de contabilidade. Era um trabalho que fazia parte da vida deles, mas não exatamente do que Beto gostava de fazer.

O que sempre teve mais a ver com ele era gente. Atendimento ao público, bar, restaurante, hotelaria. Estar em contato com pessoas, receber, conversar, cuidar.

Em 2026, depois de uma temporada de Imposto de Renda particularmente pesada, Beto chegou ao limite.

No mesmo dia em que aquela correria finalmente terminou, Cyntia fez uma sugestão simples: eles precisavam sair. Ir para algum lugar sem internet, sem sinal de telefone, sem a pressão do trabalho.

Como Beto gosta de pescar, ela pesquisou algumas opções no Booking. Escolheu cinco lugares e deixou que ele decidisse.

Entre as opções estava a Cavalo de Pedra.

Beto escolheu a pousada no impulso. Não conhecia o lugar, não tinha nenhuma história com ele e não fazia ideia de que aquela escolha mudaria sua vida.

A viagem já começou como uma pequena aventura. Depois de Peruíbe, passando pelo Guaraú, veio uma estrada de terra que parecia não levar a lugar nenhum. Até que, perto de um riozinho, uma curva à esquerda revelou um portão e uma parede onde estava escrito: Cavalo de Pedra.

Eles foram recebidos pelo então gestor da pousada, sua família e uma ninhada de filhotes de cachorro.

Beto passou os dias praticamente inteiros pescando.

Em uma dessas pescarias, o gestor perguntou se ele estava gostando do lugar. A resposta veio sem pensar muito: "Eu moraria aqui pro resto da minha vida."

O gestor sorriu. E então veio a frase que mudaria o rumo daquela viagem: "Eu estou passando o ponto." A pousada estava à venda.

Naquele momento, Beto nem levou a ideia muito a sério. Afinal, não tinha dinheiro para comprar uma pousada. Mas algumas ideias, quando aparecem, não vão embora tão facilmente.

No dia seguinte, conversando com Cyntia, foi ela quem o incentivou a tentar — mesmo sabendo que não seria simples.

Naquele mesmo dia, já havia outras pessoas interessadas na pousada. Ainda assim, Beto pediu para entrar na fila, enviou a documentação e esperou. Foi aceito.

A partir daí, começou outra jornada: captar, pouco a pouco, os recursos necessários para tornar possível aquela decisão que, até pouco tempo antes, nem fazia parte dos planos.

E foi assim que nasceu a nova fase da Cavalo de Pedra. Não houve um grande planejamento, uma estratégia de anos ou um projeto desenhado no papel. Houve uma viagem. Uma pescaria. Uma frase dita sem pensar. E um impulso que acabou dando início a uma vida nova.

Hoje, Beto olha para aquele dia e sabe que algumas escolhas importantes da vida acontecem assim: quase sem aviso, no meio de uma conversa, de uma estrada de terra ou de uma pescaria. A diferença é que, desta vez, aquele impulso não terminou quando a viagem acabou. Ele virou casa, trabalho, projeto e um novo jeito de viver.

E é daqui que começa a nossa história. A partir de agora, vamos contar, neste diário, os pequenos acontecimentos que fazem parte dessa nova vida na Cavalo de Pedra. Porque, por aqui, a cada dia pode surgir uma nova história — e algumas delas começam exatamente onde a gente menos espera.

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